quarta-feira, junho 25, 2008

filme; Revelação dos Rabelados


Nota do Realizador


Este é o meu segundo filme; Revelação dos Rabelados. Em 2007 mostramos ao mundo a Cidade Velha, através do documentário Rua Banana Cidade Velha. Desta feita, pretendemos dar a conhecer ao mundo uma minoria especial; os rabelados, um povo que no passado sofreu perseguição do Estado, da Igreja e da sociedade, e resolveu afastar-se de tudo para seguir a sua religião.

O processo de sucessão do poder, depois da morte do líder não tem sido fácil. Os mais velhos têm alguma reticência na nova liderança ao ponto de alguns já não marcarem presença nos cultos sagrados. A mudança dos costumes, fruto da globalização tem criado alguma discórdia no seio da comunidade, que é conhecida pela sua coesão. Aliás foi graças a isso que conseguiram sobreviver e preservar, por mais de 40 anos uma cultura própria, longe da sociedade.

De rebeldes e descriminados, os rebelados constituem hoje uma peça importante no contexto do desenvolvimento turístico de Cabo Verde. É essa abertura ao mundo que facilitou a entrada na comunidade de uma mulher que ajudou a abrir a porta a um outro mundo. Para muitos, os rebelados vivem, neste momento, uma autêntica revolução, fruto desta abertura. Conservam uma tradição antiga, baseada na espiritualidade e no bem ao próximo, mas mesmo assim sempre foram conotados como um povo rebelde, agressivo e desobediente. Nada mais falso.

Este documentário vai abrir ao mundo a porta da comunidade dos rabelados do Espinho Branco, trazendo à tona algum conflito de gerações no seio da comunidade e mostrando o lado pouco conhecido dos rabelados, a sua vida espiritual.


Mário Benvindo Cabral
Realizador

sexta-feira, maio 16, 2008

Meu 2º filme, Revelação Rabelados

Mário Cabral prepara filme sobre os Rabelados


O realizador Mário Benvindo Cabral está prestes a iniciar as filmagens do seu novo documentário intitulado “Revelação dos Rabelados”. Depois de “Rua Banana, Cidade Velha” - com o qual marcou presença na mostra de cinema lusófono “Mostralingua” - o cineasta escolheu os Rabelados de Espinho Branco para tema do seu novo filme.
“Marginalizados, escolheram viver em locais de difícil acesso, longe da sociedade, sem qualquer contacto com a sociedade. Não vão à escola, não registam os filhos e não vão ao hospital. Construíram o seu mundo e criaram o seu modo de vida e sua forma de praticar a religião. Perseguidos e até presos por suspeita de terem fins políticos, os rabelados são o símbolo da resistência”, lê-se na resenha do filme que dará um especial enfoque às mudanças que se têm verificado no seio da comunidade após a morte do velho líder e a respectiva sucessão pelo seu filho, Tchentcho, de 25 anos.
A relação da artista plástica Mizá com os Rabelados de Espinho Branco também vai estar em destaque. “ (...) Uma mulher conseguiu o impensável, penetrar a comunidade. Para alguns ela é o poço da discórdia, mas o antigo líder a tinha apelidado de “anjo da guarda”, por isso mesmo os seguidores do antigo líder respeitam-na (...)” revela a sinopse.
“O processo de sucessão do poder, depois da morte do líder não tem sido fácil. Os mais velhos têm alguma reticência na nova liderança ao ponto de alguns já não marcarem presença nos cultos sagrados. A mudança dos costumes, fruto da globalização tem criado alguma discórdia no seio da comunidade, que é conhecida pela sua coesão”, conta Mário Cabral sobre o seu projecto e acrescenta que “essa abertura ao mundo facilitou a entrada na comunidade de uma mulher [ Mizá ] que ajudou a abrir a porta a um outro mundo. Para muitos, os rebelados vivem, neste momento, uma autêntica revolução”.
Orçado em cerca de 3 mil contos (dos quais 50% já estão garantidos e o restante aguarda patrocínios), “Revelação dos Rabelados” está a ser produzido pela Global Produções, do próprio Mário Benvindo Cabral, e conta com uma equipa técnica nacional composta por 5 pessoas. A filmagem será feita em formato DV e o resultado final vai ter cerca de 30 minutos de duração. (fonte, ASEMANAONLINE)

quarta-feira, novembro 14, 2007

"RUA BANANA CIDADE VELHA" VAI SER APRESENTADO EM BARCELONA

DOCUMENTÁRIO "RUA BANANA CIDADE VELHA" VAI SER APRESENTADO EM BARCELONA
O documentário "Rua Banana Cidade Velha", do realizar cabo-verdiano, Mário Benvindo Cabral, vai ser apresentado no dia 28 deste mês, em Barcelona, no âmbito da semana cabo-verdiana que acontece naquela cidade espanhola. Segundo Mário Cabral, o convite partiu de um dos patrocinadores do filme, a Universidade de Barcelona, que é também organizadora do evento. Durante a semana, o realizador do documentário participa de uma conferência sobre desenvolvimento sustentável e ainda, num debate sobre a candidatura de Cidade Velha a Património Mundial. Para além da apresentação de "Rua Banana Cidade Velha" ao longo da semana cabo-verdiana em Barcelona, vai ser feita a divulgação da culinária nacional e alguns sessões de música. Por outro lado, Mário Benvindo Cabral disse ao Expresso das Ilhas on-line que tem recebido muitos elogios e criticas do documentário, mas "o mais importante são as realizações que aconteceram em Cidade Velha após a divulgação de 'Rua Banana Cidade Velha', visto que a rua que dá nome ao trabalho mudou e muitas das reivindicações dos moradores mostradas pelo filme foram atendidas", afirma entusiasmado. "Rua Banana Cidade Velha" mostra o ponto de vista da população da Cidade Velha sobre a sua candidatura a Património Mundial, através de depoimentos e testemunhos. O documentário custou mais de 3 mil contos e foi patrocinado pela empresa Delma de Itália, Universidade de Barcelona, Rede de Turismo Ibertur da Espanha e a pela Caixa Económica de Cabo Verde.
Expresso das Ilhas

Rua banana, cidade velha seleccionada para MOSTRALINGUA

Rua Banana, Cidade Velha foi seleccionado para fazer parte da Mostra Lingua, uma mostra internacional de Cinema e Video lusofonos. Nesta primeira edição vão estar representados : Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e, claro está Cabo Verde.
A mostra é competitiva e haverá premios diversos. Rua Banana Cidade velha passará na mostra no dia 24 de Novembro.

terça-feira, julho 17, 2007

Rua banana, cidade velha

Cinema/Crítica: “Rua Banana Cidade Velha”
MÁRIO BENVINDO CABRAL TEM MÃO PARA FILMAR
O filme “Rua Banana Cidade Velha”, de Mário Benvindo Cabral, cuja estreia assistimos Sexta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural Português, de certeza que se inscreve na história do cinema cabo-verdiano, mas há um grande caminho para que ela venha a ser algum paradigma artístico - para além das temporalidades (mas este também nem era o objectivo do realizador)
Praia, 17 de Julho - Uma obra se inscreve na História quando ela não se prende ao próprio tempo em que ela foi criada. A atemporalidade é uma das marcas da verdadeira obra de arte. Daí a dificuldade do documentário, enquanto género cinematográfico, afirmar-se enquanto arte, porque, na maioria das vezes, ele destaca um facto inscrito num determinado tempo. Mas a História do cinema, entretanto, conhece realizadores que escaparam ao tempo, legando-nos obras de conhecido valor artístico. É o caso, por exemplo, de Eisentein, precursor do cinema-propaganda.
O filme “Rua Banana Cidade Velha”, de Mário Benvindo Cabral, cuja estreia assistimos Sexta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural Português, de certeza que se inscreve na história do cinema cabo-verdiano, mas há um grande caminho para que ela venha a ser algum paradigma artístico - para além das temporalidades (mas este também nem era o objectivo do realizador).
“Rua Banana Cidade Velha”, enquanto documento audiovisual, presta grande serviço a Cabo Verde, no sentido de afirmar e resgatar o espaço histórico da Cidade Velha para todo o planeta.
O documentário, cujo projecto surgiu em 2005, durante a realização do “África Doc”, foi rodado este ano de 2007, exactamente quando a Cidade Velha ultima os seus preparativos para a sua candidata à Património da Humanidade.
O filme tinha tudo para ser um vídeo-clip, ou até mesmo um audiovisual de cartões postais, com imagens lugar-comum quando a temática é o berço de Cabo Verde, entretanto, Mário Benvindo Cabral prova que tem mão para filmar.
O realizador, de forma inteligente, age como um cidadão de consciência crítica e democrática, com responsabilidade e compromisso social, absolutos, motivo pelo qual o seu filme não pode ser tomado como Institucional.
Nem se pode dizer que a sua obra está a serviço da candidatura da Cidade Velha a Património Mundial.
Mais do que aderir a candidatura, o documentário cumpre a sua função crítica de conscientizar a sociedade cabo-verdiano para os mais diversos aspectos que estão por detrás desta candidatura.
“Rua Banana Cidade Velha” mais questiona do que responde.
Daí o facto de as entrevistas do filme serem antagónicas entre si, com a voz dos representantes do poder público a explicar o óbvio e o simples, ao passo que as vozes dos habitantes é mais complexa, porque enraizada na realidade em que vivem.
O documentário toma como linha da história o guia turístico Diamantino, o seu quotidiano, a sua relação com o trabalho e com as pessoas da comunidade. A câmara acompanha-lhe os passos. Há, entre um e outro episódio, imagens subjectivas, ou seja, o ponto de vista do próprio Diamantino.
Através de Diamantino, conhecemos os moradores da Rua Banana e a comunidade da Cidade Velha de uma forma global. Ficamos a saber o que cada uma delas é, o que pensam sobre a transformação da Cidade Velha a Património Mundial, o que elas estão a fazer para que isso se concretize ou não, e, o que é mais importante, o que elas já fizeram pela sua terra, independentemente desta candidatura.
Portanto, o filme, para além desses dias de Diamantino, e do seu ponto de vista, escapa-se para os factos que constituem o tecido social da Ribeira Grande da Cidade Velha.
Ao mesmo tempo em que vemos os pescadores, os turistas, os meninos, as pessoas, vemos também o que todos eles vêem.
Vemos através dos seus olhos, pelo que, as imagens, afinal de contas, tornam-se a grande força de “Rua Banana Cidade Velha”.
Elas reforçam os conteúdos das entrevistas, principalmente, dos moradores da referida rua, que desconfiam deste momento histórico pelo qual a Cidade Velha está a passar.
Elas entrecortam os diferentes modos de interpretar e de viver este facto com quadros que são pinturas, captados de forma brilhante e montados com muita sensibilidade.
Mas há falhas.
“Falhas de racord cromático”, com mudanças de imagens cujos tons de cores são demasiados diferentes, ou seja, imagens alternadas ora com maior, ora com menor temperatura de cor, interferem de forma brusca na montagem final, entretanto, apesar disso, o documentário se afirma, repetimos, pelo conjunto das suas imagens.
E há falhas no uso excessivo de textos.
A utilização dos textos, claro, ajuda na subdivisão do documentário em partes. Este recurso facilita a introdução de entrevistados, assim como serve de apresentação dos espaços filmados. Os textos, portanto, revelam o carácter didáctico ao mesmo tempo em que reforçam a continuidade do documentário.
Até aí, nada de mais, entretanto, estes textos, por vezes monótonos e até mesmo repetitivos, exactamente por causa disso, em algumas de suas inserções e passagens, acabam por romper estrutura narrativa do documentário.
É onde o feitiço vira contra o feiticeiro.
Se por um lado, o documentário ocupa a sua função didáctica, com a utilização de textos bastante esclarecedores sobre a história da Cidade Velha, por um outro lado, ele escapa aos tradicionalismos e revela a criatividade de Mário Benvindo Cabral.
As mãos do realizador estão metidas em toda a obra. Percebe-se isso facilmente no aspecto linear da mesma, na sua estrutura dialéctica e crítica, nos seus conteúdos históricos, nas suas imagens espectaculares, na sua montagem definitiva, que não deixa o filme ficar como uma nau à deriva, ao contrário, como um bom marinheiro, de muitas viagens, Mário Benvindo Cabral sabe que o mar só se acalma quando o navegador se acalma.
Esta sua calma, aliás, reflecte num filme sereno e agradável. Com depoimentos, entrevistas e imagens que conferem ao filme uma qualidade dinâmica, reveladora e intrigante e que fazem de “Rua Banana Cidade Velha” um bom documentário.

Post-scriptus
A pior parte da sessão, como de costume, ficou mesmo para o final, quando a equipa que fez o filme se apresentou e solicitou ao público para que este colocasse alguma questão, tendo a maior parte dos que se manifestaram apenas felicitado a realização da obra, sem, entretanto, avançar qualquer comentário pertinente sobre a mesma, pelo que, penso eu, se não tinham o que dizer, talvez fosse melhor estarem calados.
É de lamentar ainda que até mesmo Sua Excelência, o Sr. Ministro da Cultura, Manuel Veiga, tenha pegado boleia nestes comentários sem sentido, mas, dessa forma, ao felicitar a equipa, ele se esquivou das críticas implícitas que o documentário revelou.
Também lamentamos que, dentre estes que disseram coisas sem sentido, tenha aparecido alguém com a coragem de declarar, que, se o filme tivesse sido realizado hoje, as opiniões das pessoas com relação a candidatura da Cidade Velha a Património Mundial seriam diferentes, como se fosse alguma obrigação do realizador filmar para actualizar os factos ou tomar partido deles.
Nós, que assistimos a estreia do filme, Sexta, 13, no auditório do Centro Cultural Português, resolvemos passar ao papel estas mal traçadas linhas que escapam ao pensamento e insistem em ficar grafadas, para que as ideias, voláteis, não sejam esquecidas, e para que as palavras, proferidas, não voem, como os pássaros, por mais livres que elas (e eles) sejam.
Nossa pretensão, neste caso específico, é desafiar os leitores deste jornal e os públicos dos filmes, das exposições de fotografias e de artes, das peças de teatro, enfim, das actividades artísticas e culturais desta terra, a reflectir e a escrever sobre as estéticas e as técnicas destas produções, para que, então, sejamos capazes de construir, de forma sólida, a crítica e a história da crítica em Cabo Verde, facto, aliás, demasiado comentado, mas pouco curado, até mesmo por aqueles que sempre estão a manifestar de forma verbal as suas preocupações com relação a esta questão, talvez, porque, afinal de contas, falar é fácil, difícil é fazer, digo, escrever.
Fica, pois, este comentário a título de pós-scriptus.

Francisco Weyl
Carpinteiro de Poesia e de Cinema

quinta-feira, março 22, 2007

Nota do realizador


A cultura é um dos poucos traços de um povo que consegue perpetuar no tempo e deixar marcas profundas no modo de viver, pensar, agir, estar, etc. de qualquer povo.

Cabo Verde, como um país de misturas a todos os níveis, não podia deixar de ser diferente, afinal, está entre os poucos países do mundo que tiveram o privilégio de estar na origem do fenómeno globalização. Costuma-se dizer que o cabo-verdiano traz a cultura na alma e na sua própria forma de ser. Eu sou um deles, pois, a cultura sempre me despertou um interesse especial. Tenho uma atracção pelos monumentos e por tudo que se refere à cultura, por isso, o berço da nação cabo-verdiana é para mim um santuário do homem cabo-verdiano, para não falar do homem da aldeia global.

A conservação do património é um imperativo, mormente para um país que pretende fazer parte dos roteiros internacionais do turismo cultural. Para atingir tal objectivo é preciso, a par das restaurações, fazer um trabalho com população, os principais alvos e os que mais facilmente verão as suas vidas alteradas. A comunidade da Cidade Velha precisa estar consciente que o turismo cultural acarreta benefícios e "perdas". As duas partes têm que encontrar a melhor forma de gerir os conflitos para que Cabo Verde possa fazer parte do património mundial da UNESCO com apoio tanto do Estado como dos moradores. Estes têm que entender que as autoridades estão do lado deles e não o contrário. É preciso uma aproximação saudável e uma comunhão de esforços para que os objectivos sejam comuns.

Este filme é para mim uma forma de divulgar os problemas que as pessoas que vivem nos museus enfrentam. Pretendo contribuir para divulgar as preocupações das pessoas que diariamente sentem a sua privacidade invadida pelo estranho, por outro lado pretendo mostrar a comunidade da cidade velha que o patrimonio é deles e por isso o trablaho é de todos.

Mário Benvindo Cabral
realizador

Rua banana cidade velha


Sinopse

Cidade Velha, antiga Ribeira Grande, fundada em 1462, foi a primeira capital de Cabo Verde e a primeira Cidade portuguesa fora da Europa.
Placa giratória no comércio de escravos entre os continentes Europa, África e América, funcionou como campo de experiências de culturas e animais. Foi um ponto de passagem obrigatório nas rotas dos descobrimentos. Aqui os escravos eram ensinados a ler e a escrever, valorizando-os e preparando-os para as mais diversas tarefas. Para candidatar a património mundial e atrair o turismo internacional, o governo de Cabo Verde, apoiado pela cooperação internacional, iniciou nos anos 90 obras de restauração dos monumentos e das casas da principal rua da cidade, a rua Banana. A comunidade aplaudiu essa aposta do Governo, mas não aceita as medidas arquitectónicas impostas. Este filme vai acompanhar a restauração do património da cidade velha e mostra a importância histórica desta cidade.

Os patrocinadores da Rua Banana Cidade Velha


Rua Banana, Cidade Velha, um documentario que versa sobre a Cidade Velha será rodado até o dia 25 de Março, para entrar na fase de montagem logo a seguir. A Estreia acontece entre 15 a 25 de Maio de 2007.
Orcado em 3 mil contos, este documentário teve os seguintes apoios:
Caixa Economica de Cabo Verde, Delma iNC,Ministerio da Cultura, BCA, UNIVERSIDAD DE BARCELONA,BOLSA DE VALORES, LOID ENGENHARIA, HOTEL TROPICO, PUBLICOM,CABO VERDE INVESTIMENTOS.
A produção está a cargo da Global Produções, uma produtora independente com sede na Cidade da Praia. A equipa do filme:
Maria Joao Mosso-Produtora
Antonio Melo- Camaraman
Ineida Cabral- Relaçoes Públicas
Mário Benvindo Cabral- Relizador

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Mais televisão... ou mais canais? Eis a questão!


Este é o mometo de viragem no panorama audiovisual em Cabo Verde. Mais canais deve ser melhor televisão. Mas onde arranjar quadros de qualidade num país que até há pouco tempo só tinha a RTC? É obvio, na RTC. É ali que os novos canias vão ter que sondar os melhores, os mais criativos, enfim os que a RTC precisa para melhorar ou começar a oferecer o serviço público. A propósito de Serviço Público, diga-se que ainda é preciso contextualizar este conceito tão polémico. Mas até lá uma coisa é certa; Serviço público não é ter um Jornal Regional. Não passa de certeza pela exclusão de grande parte de assuntos meritórios de destaque. Se os telespectadores são obrigados a comparticipar o Serviço Público exigem um serviço de qualidade. E já agora, e os que não tem acesso à RTC. Falo de grande parte da ilha de SantoAntão, sem mencionar o resto. Em suma é preciso pensar nos que tem o salário minino, nos que não podem dar ao luxo de pagar 350 escudos para um serviço que não consomem.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Mostra Cinema OIÁ

Oiá é uma mostra de cinema intercionacional que decorre anualmente no Mindelo. Este ano vai acontecer de 20 a 29 de Outubro. Isto, de Acordo com a organização para coincidir com o inicio das aulas. É que a organização quer semear nas camadas mais jovens o gosto pelo cinema.
Nesta mostra vão estar presentes filmes de Portugal, Brasil e Cabo Verde."No mar de alcatraz" , uma história real de naufragio que acorreu em Fevereiro vai se estrear nesta mostra.

segunda-feira, julho 31, 2006

No mar de Alcatraz, um documentário por acaso

Uma viagem à ilha do Fogo a bordo do catamarã Golfinho I, quase ia custar a vida a trinta passageiro, incluindo a minha pessoa. Depois de quase duas horas de viagem confortável ,o azar. Por sorte ou azar estava eu a filmar quando o navio bateu numa baixa. Consegui registar todo esse momento de pânico a bordo. Foi a forma que encontrei para não ficar em pânico, filmando as pessoas e a tripulação. Deste registo vai sair um documentário, "No mar de Alcatraz" 20mn dv, com produção da Global Produções Eventos e Multimédia e sem patrocínios.

Fazer cinema em Cabo Verde

"é preciso ser doido para fazer um filme em Cabo Verde" Ana Ramos Lisboa, Realizadora.
Nem mais. Ana sabia o que dizia. Agora constato o que ela quis dizer com esta frase. As empresas não aderem. Se apoiam, fazem-no timidamente sem acreditar plenamente nos projectos. É a minha convicção. Posso até estar errado, mas a pratica me tem dado razão. Estou a preparar o meu primeiro filme orçado em cerca de trinta mil Euros. Os patrocínios estes nem ve-los. A menos de 1 mes de rodagem, nem 15% do Orçamento.Deve ser porque sou Cabo Verdiano. Ou seja, os Cabo Verdianos não sabem fazer. Se fosse um portugues, queria ver. Sabem do que falo. Mas este filme vai ser rodado e Editado em Cabo Verde por Caboverdianos que querem aprender a fazer. Aos que apostaram neste projecto-Rua Banana cidade Velha, não se vão arrepender.

sexta-feira, junho 16, 2006

Rua banana cidade velha

Rua banana cidade velha é um projecto de documentario que versa sobre a cidade velha. O projecto é fruto do africadoc 2005 e em Setembro vai iniciar-se a rodagem.
O Filme está orçado em cerca de 3 mil contos. A TCV é co-produtora em parceria com a Global Produções Eventos e Multimédia, uma produtora independente.
Rua Banana Cidade Velha é uma aventura apaixonante, pois, percorre um local de história mundial e de interesse universal. Apesar de toda a importância histórica deste lugar, as autoridades mundiais ainda não reconheceram este verdadeiro património devidamente. Estou certo que este projecto irá constituir uma mais valia no sentido de dar a conhecer ao mundo o berço da humanidade e o ninho do fenómeno da globalização.

terça-feira, abril 12, 2005

O que nao ]e um documentáro

Muita boa gente tem essa confusao entre documentariuo e reportagem. É de facto complicado para quem está acostumado a nao ver filmes documentarios. Em Cabo Verde qualquer reportagem ou grande reportagem é apelidada de documentario. Erradamente muitos programas do género informativo grande reportagem tem sido chamado de documentário.
O documentário conta uma história. Aqui o autor apenas sugere apoiando-se na narrativa cinematográfica. Aliás, o documentário é produto do cinema, adaptado
à televisao. Por isso mesmo a narrativa utilizada é a do cinema. O documentário difere ainda de uma grande reportagem pela duraçao dos planos. Normalmente são mais longos nos documentarios. No documentario o autor apenas traça o itenirário a seguir sem chegar a conclusões. O desenrolar da historia explica por si os objectivos do autor.
Nao se iludam documentário é fruto do cinema, mas pode muito bem ser concebida pelos dois.

quinta-feira, abril 07, 2005

O pivot ( apresentador)enquanto construtor da informação

O primeiro contacto do telespectador com a notícia no Jornal da Noite dá-se através do pivot.[1] É ele quem anuncia o acontecimento, apresentando-nos um ângulo de visão (função guia); é ele quem gere a palavra dos entrevistados (função moderadora); é ele quem remata as peças ou as conversas com um breve comentário (função enfática) ou gesto ou postura; é ele quem faz as entrevistas, «substituindo» aí o telespectador (função «delegada»). Todas essas funções fazem dele um elemento chave na ligação do mundo aos telespectadores.
Para além daquilo que diz, o pivot transmite informação através de códigos cinéticos, nomeadamente através do olhar. Como afirma Felisbela Lopes; “o eixo do olhar do pivot é um elemento significativo da enunciação televisiva. Olhando o telespectador olhos nos olhos, o apresentador coexiste com o seu receptor no mesmo lugar e no mesmo espaço, afirmando a realidade do mundo que transparece através do ecrã”. (Felisbela Lopes 1999, 82).
Como sublinha Felisbela Lopes, “olhar dirigido para o papel significa o imprevisto, o excepcional; os olhos concentrados num plano inferior esperam a difusão de uma peça; o olhar lateral marca a passagem da palavra a um entrevistador ou comentador. (Felisbela Lopes1999,82).
Citando um trabalho de Pedro Mácia, (televisión hora cero, Madrid, Erisa 1981) Felisbela Lopes afirma que:
“O apresentador do telejornal pode insistir em manter-se à margem dos factos que anuncia, cultivando um modelo comunicacional em que o seu papel se confina ao de mero mediador de postura séria e pouco expressiva ou adoptar um modelo personalizado, passando de mediador a protagonista, revelando o seu lado mais pessoal e impondo, por vezes o “star system” no qual interessa, mais do que a notícia, quem apresenta.” (Felisbela Lopes 1999, 83).
Pelas palavras de Felisbela Lopes, o apresentador aparece aqui como uma figura determinante para a compreensão da mensagem. A forma como ele "diz" os textos pivots,[2] o tom de voz que ele utiliza e os gestos que faz, podem interferir na percepção da mensagem. A encenação das notícias acentua-se, ficando a realidade cada vez mais distante. De acordo com Felisbela Lopes,
“A encenação que rodeia dispositivo audiovisual, a baixa produtividade informativa imposta pelas imagens, a manipulação da notícia em directo e a escassez de temas tratados levam-nos a concluir que a informação tyelevisiva, mais do que um momento de informação, incute no cidadãop a ilusão de estar informado.” (Felisbela Lopes, 1999,84)
[1] Aquele que apresenta as notícias no Jornal da Noite.
[2] Significa também o texto lido antes de cada peça.
Fonte: memória monografica de bacharelato de mário benvindo cabral.

Televisão de qualidade

A promoção de uma televisão de qualidade não deriva apenas da vontade dos seus programadores, estando antes condicionada pelos recursos financeiros disponíveis, e consequentemente pelo quadro do pessoal que integra. Sem uma sólida segurança financeira será certamente difícil produzir séries e documentários ou produções de grande envergadura. Mas dinheiro não surge do nada. É preciso criar serviços de qualidade que interesse ao público. A venda de algum material de arquivo é apenas um exemplo de muitas outras iniciativas que podiam ser seguidas para facilitar a entrada de mais algum.
Sem recursos humanos de talento, será complicado inovar e transformar programas de interesse público em espaços de interesse do público. Por isso, a nosso ver, urge criar mais espaços de debate do mundo audiovisual. Urge aproveitar mais as oportunidades de formação e reciclagem. Em resumo urge acompanhar as novidades, ainda que esse acompanhamento se opere apenas a nível do conhecimento.

segunda-feira, abril 04, 2005

1ª Sessão Africadoc 2005- Mindelo

De 23 a 31 de Março, decorreu em Mindelo a 1ª sessão do africadoc 2005. Foram 10 os participante, sendo 3 caboverdianos; dois residentes e um da diáspora.
A ministrar esta sessão estiveram 2 peritos do cinema documental; Luis correia e Noemy . Estes dois peritos contam já com uma experiencia invejável no mundo do cinema.
Eis aqui os projectos e os respectivos autoreS:
Cabo Verde:
Cidade Velha, o Berço de Mário Benvindo Cabral
Música de Cabo Verde: Joaquim Livramento
Retornado: Víctor Pires (candidato da diáspora)
S. Tomé e Príncipe
Para Além do Batepá de Miguel Enweren
Angola
As Zungeiras de António Adi
Moçambique
Salão Britney Spears de Raquel Jenkins
Raízes Cortadas de Flora Mossoshua
Kupita Kufi de Germano Vasco
Guiné Bissau
À deriva de Suleimane Biai
A voz do povo de Adulai Djamanca
Estes 10 projectos estarão em Goré, Senegal, a partir do dia 28 de Abril à procura de finaciadores. Na sessão do PITCHING, vão estar presentes as principais estações de televisão da Europa.

quinta-feira, março 17, 2005

A linguagem no Jornal da Noite

Um dos elementos mais importantes na compreensão da mensagem do Jornal da Noite é, sem dúvida, a linguagem, que tem como característica garantir a verdade dos conteúdos do discurso e também a própria credibilidade do anunciador. Uma outra característica, não menos importante é a de dar sentido às coisas. Toda a experiência que supõe o uso da linguagem implica, portanto, construções de sentidos. Neste contexto, ao realizar escolhas no processo da construção do acontecimento como notícia, os profissionais da televisão imprimem significado aos factos. Sobre isto Bourdieu afirma: “Os jornalistas, grosso modo, interessam-se pelo excepcional, pelo que é excepcional para eles. O que pode ser banal para outros poderá ser extraordinário para eles e ao contrário. (Bourdieu 1997, 26).
Na perspectiva de Bourdieu, o produto final acaba por exprimir a visão do mundo sob o ponto de vista tanto do jornalista como do operador de câmara, a imparcialidade do discurso jornalístico mostra, deste modo, o seu caracter mitológico, para não dizer utópico.
A notícia quer-se como retrato dos acontecimentos, relatado com maior objectividade possível. A sua forma de apresentação, em termos de linguagem pode conduzir a várias interpretações, dando ideia que o telespectador não é passivo diante da mensagem.
Ele interage com ela; o sentido da notícia é reavaliado por ele e, muitas vezes, a sua interpretação da mensagem pode não ser a desejada pelo emissor desta, contribuindo, assim, para a produção de outras realidades que não eram objectivos do emissor.

fonte: memória monografica de Bacharelato de Mário Benvindo Cabral

sábado, março 05, 2005

o que é o ÁfricaDOC

Um país sem documentários é como uma família sem álbum de fotografiasPatricio Guzmán, realizador chileno

Tendo em conta que os países de expressão portuguesa em África estão a viver um momento de consolidação e afirmação, e sabendo que a produção audiovisual pode ser um importante factor de desenvolvimento, quer a nível interno enquanto veículo privilegiado para o ensino e para o reforço da identidade cultural, quer como instrumento de valorização e promoção do país face ao exterior, vimos deste modo apresentar o projecto ÁfricaDOC.ÁfricaDOC é um programa de formação destinado a realizadores e produtores de documentário dos países africanos de expressão portuguesa (e francófonos) e tem como objectivos principais contribuir para a emergência de novos criadores, possuidores dos conhecimentos necessários para a integração no mercado de produção internacional, estabelecer um tecido de competências e afinidades profissionais transnacional e promover o desenvolvimento e financiamento de projectos de potencial internacional.
fonte:www.africadoc.com

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A estruturação narrativa do Jornal da Noite

O Jornal da Noite tem a sua estrutura própria, ganhando em muitas paragens o estatuto de género. Apoia-se em formas específicas: o genérico, o Headlines, o olhar do (a) apresentador (a) e a as pontuações.

a) O genérico
O Genérico é a parte que inicia e finaliza o espaço informativo. No Jornal da Noite da Televisão de Cabo Verde, de 2001, o genérico teve a duração de 30 segundos e apresentou-se em tons laranja, branco e azul.
O genérico do Jornal da Noite estabelece o contacto com o telespectador e significa que se trata de um programa cuja matéria principal será o relato do recente, exposto de forma jornalística. O genérico contém imagens referentes aos «grandes» acontecimentos, nacionais e internacionais bem como alguns pivots de jornalistas. O genérico inicia e finaliza o espaço informativo. O som marcante, tem a intenção de chamar ao longe os telespectadores. Normalmente tem a duração de trinta segundos. As cores predominantes são as mesmas do cenário.

b) Os Headlines
Os Headlines[1] do Jornal da Noite indicam tudo o que vai ser tratado no espaço. Os títulos normalmente são dados sob a forma de frases completas, (sujeito, verbo, complemento), contendo cada uma um enunciado de uma informação, compreensível em si mesma.
c) O Olhar do pivot (apresentador)
De acordo com Jespers,
“O olhar do pivot (apresentador) é um sinal essencial do tipo de discurso que se está diante dos olhos do telespectador acerca disso: Se o apresentador olha o telespectador nos olhos (no eixo y-y), é porque está para lhe contar uma história verídica., para lhe dar uma informação referente a uma realidade. Pelo contrário, se o apresentador desvia o olhar, coloca na pele do telespectador, fala ou olha em vez dele.” (Jean Jaques Jaspers, 1998, 178)
Muitas vezes é difícil perceber o olhar do pivot, porque com o uso do teleponto, torna-se difícil para os leigos distinguirem o que é dito do que é lido, pois o apresentador (a) fixa o olhar sobre a objectiva «encarando» o telespectador sempre nos olhos.
O discurso do Jornal da Noite é intencionalmente tenso, tentando provocar interesse constante do telespectador, que não tem chance de relaxar. O Jornal da Noite precisa seduzir o telespectador todo o tempo. Esse papel de cativar o telespectador é feito pelo apresentador (a).
O apresentador (a), enquadrado num plano próximo,[2], lê os textos-pivot[3] através do teleponto.[4] Em cada intervalo insiste em chamar a atenção do telespectador utilizando expressões como «daqui a pouco», «veja a seguir» ou «confira logo após o intervalo», etc. Estas frases são acompanhadas de imagens e sons «fortes» dos assuntos que se pretendem destacar.
O ritmo narrativo do Jornal da Noite é intencionalmente acelerado, tentando produzir um discurso dinâmico, a impressão da actualidade, a sensação de imprevisibilidade. No tempo destinado ao jornal o telespectador é convidado a dar um rápido passeio por Cabo Verde e pelo mundo, através de um processo hierarquizado dos acontecimentos.
[1] Resumo do que se vai tratar no espaço, síntese.
[2] Plano que enquadra do peito para cima.
[3] Texto que o (a) apresentador (a) lê antes das notícias.
[4] Máquina ajustada à objectiva da câmara que passa os textos previamente digitados num computador.