Cinema/Crítica: “Rua Banana Cidade Velha”
MÁRIO BENVINDO CABRAL TEM MÃO PARA FILMAR
O filme “Rua Banana Cidade Velha”, de Mário Benvindo Cabral, cuja estreia assistimos Sexta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural Português, de certeza que se inscreve na história do cinema cabo-verdiano, mas há um grande caminho para que ela venha a ser algum paradigma artístico - para além das temporalidades (mas este também nem era o objectivo do realizador)
Praia, 17 de Julho - Uma obra se inscreve na História quando ela não se prende ao próprio tempo em que ela foi criada. A atemporalidade é uma das marcas da verdadeira obra de arte. Daí a dificuldade do documentário, enquanto género cinematográfico, afirmar-se enquanto arte, porque, na maioria das vezes, ele destaca um facto inscrito num determinado tempo. Mas a História do cinema, entretanto, conhece realizadores que escaparam ao tempo, legando-nos obras de conhecido valor artístico. É o caso, por exemplo, de Eisentein, precursor do cinema-propaganda.
O filme “Rua Banana Cidade Velha”, de Mário Benvindo Cabral, cuja estreia assistimos Sexta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural Português, de certeza que se inscreve na história do cinema cabo-verdiano, mas há um grande caminho para que ela venha a ser algum paradigma artístico - para além das temporalidades (mas este também nem era o objectivo do realizador).
“Rua Banana Cidade Velha”, enquanto documento audiovisual, presta grande serviço a Cabo Verde, no sentido de afirmar e resgatar o espaço histórico da Cidade Velha para todo o planeta.
O documentário, cujo projecto surgiu em 2005, durante a realização do “África Doc”, foi rodado este ano de 2007, exactamente quando a Cidade Velha ultima os seus preparativos para a sua candidata à Património da Humanidade.
O filme tinha tudo para ser um vídeo-clip, ou até mesmo um audiovisual de cartões postais, com imagens lugar-comum quando a temática é o berço de Cabo Verde, entretanto, Mário Benvindo Cabral prova que tem mão para filmar.
O realizador, de forma inteligente, age como um cidadão de consciência crítica e democrática, com responsabilidade e compromisso social, absolutos, motivo pelo qual o seu filme não pode ser tomado como Institucional.
Nem se pode dizer que a sua obra está a serviço da candidatura da Cidade Velha a Património Mundial.
Mais do que aderir a candidatura, o documentário cumpre a sua função crítica de conscientizar a sociedade cabo-verdiano para os mais diversos aspectos que estão por detrás desta candidatura.
“Rua Banana Cidade Velha” mais questiona do que responde.
Daí o facto de as entrevistas do filme serem antagónicas entre si, com a voz dos representantes do poder público a explicar o óbvio e o simples, ao passo que as vozes dos habitantes é mais complexa, porque enraizada na realidade em que vivem.
O documentário toma como linha da história o guia turístico Diamantino, o seu quotidiano, a sua relação com o trabalho e com as pessoas da comunidade. A câmara acompanha-lhe os passos. Há, entre um e outro episódio, imagens subjectivas, ou seja, o ponto de vista do próprio Diamantino.
Através de Diamantino, conhecemos os moradores da Rua Banana e a comunidade da Cidade Velha de uma forma global. Ficamos a saber o que cada uma delas é, o que pensam sobre a transformação da Cidade Velha a Património Mundial, o que elas estão a fazer para que isso se concretize ou não, e, o que é mais importante, o que elas já fizeram pela sua terra, independentemente desta candidatura.
Portanto, o filme, para além desses dias de Diamantino, e do seu ponto de vista, escapa-se para os factos que constituem o tecido social da Ribeira Grande da Cidade Velha.
Ao mesmo tempo em que vemos os pescadores, os turistas, os meninos, as pessoas, vemos também o que todos eles vêem.
Vemos através dos seus olhos, pelo que, as imagens, afinal de contas, tornam-se a grande força de “Rua Banana Cidade Velha”.
Elas reforçam os conteúdos das entrevistas, principalmente, dos moradores da referida rua, que desconfiam deste momento histórico pelo qual a Cidade Velha está a passar.
Elas entrecortam os diferentes modos de interpretar e de viver este facto com quadros que são pinturas, captados de forma brilhante e montados com muita sensibilidade.
Mas há falhas.
“Falhas de racord cromático”, com mudanças de imagens cujos tons de cores são demasiados diferentes, ou seja, imagens alternadas ora com maior, ora com menor temperatura de cor, interferem de forma brusca na montagem final, entretanto, apesar disso, o documentário se afirma, repetimos, pelo conjunto das suas imagens.
E há falhas no uso excessivo de textos.
A utilização dos textos, claro, ajuda na subdivisão do documentário em partes. Este recurso facilita a introdução de entrevistados, assim como serve de apresentação dos espaços filmados. Os textos, portanto, revelam o carácter didáctico ao mesmo tempo em que reforçam a continuidade do documentário.
Até aí, nada de mais, entretanto, estes textos, por vezes monótonos e até mesmo repetitivos, exactamente por causa disso, em algumas de suas inserções e passagens, acabam por romper estrutura narrativa do documentário.
É onde o feitiço vira contra o feiticeiro.
Se por um lado, o documentário ocupa a sua função didáctica, com a utilização de textos bastante esclarecedores sobre a história da Cidade Velha, por um outro lado, ele escapa aos tradicionalismos e revela a criatividade de Mário Benvindo Cabral.
As mãos do realizador estão metidas em toda a obra. Percebe-se isso facilmente no aspecto linear da mesma, na sua estrutura dialéctica e crítica, nos seus conteúdos históricos, nas suas imagens espectaculares, na sua montagem definitiva, que não deixa o filme ficar como uma nau à deriva, ao contrário, como um bom marinheiro, de muitas viagens, Mário Benvindo Cabral sabe que o mar só se acalma quando o navegador se acalma.
Esta sua calma, aliás, reflecte num filme sereno e agradável. Com depoimentos, entrevistas e imagens que conferem ao filme uma qualidade dinâmica, reveladora e intrigante e que fazem de “Rua Banana Cidade Velha” um bom documentário.
…
Post-scriptus
A pior parte da sessão, como de costume, ficou mesmo para o final, quando a equipa que fez o filme se apresentou e solicitou ao público para que este colocasse alguma questão, tendo a maior parte dos que se manifestaram apenas felicitado a realização da obra, sem, entretanto, avançar qualquer comentário pertinente sobre a mesma, pelo que, penso eu, se não tinham o que dizer, talvez fosse melhor estarem calados.
É de lamentar ainda que até mesmo Sua Excelência, o Sr. Ministro da Cultura, Manuel Veiga, tenha pegado boleia nestes comentários sem sentido, mas, dessa forma, ao felicitar a equipa, ele se esquivou das críticas implícitas que o documentário revelou.
Também lamentamos que, dentre estes que disseram coisas sem sentido, tenha aparecido alguém com a coragem de declarar, que, se o filme tivesse sido realizado hoje, as opiniões das pessoas com relação a candidatura da Cidade Velha a Património Mundial seriam diferentes, como se fosse alguma obrigação do realizador filmar para actualizar os factos ou tomar partido deles.
Nós, que assistimos a estreia do filme, Sexta, 13, no auditório do Centro Cultural Português, resolvemos passar ao papel estas mal traçadas linhas que escapam ao pensamento e insistem em ficar grafadas, para que as ideias, voláteis, não sejam esquecidas, e para que as palavras, proferidas, não voem, como os pássaros, por mais livres que elas (e eles) sejam.
Nossa pretensão, neste caso específico, é desafiar os leitores deste jornal e os públicos dos filmes, das exposições de fotografias e de artes, das peças de teatro, enfim, das actividades artísticas e culturais desta terra, a reflectir e a escrever sobre as estéticas e as técnicas destas produções, para que, então, sejamos capazes de construir, de forma sólida, a crítica e a história da crítica em Cabo Verde, facto, aliás, demasiado comentado, mas pouco curado, até mesmo por aqueles que sempre estão a manifestar de forma verbal as suas preocupações com relação a esta questão, talvez, porque, afinal de contas, falar é fácil, difícil é fazer, digo, escrever.
Fica, pois, este comentário a título de pós-scriptus.
…
Francisco Weyl
Carpinteiro de Poesia e de Cinema
terça-feira, julho 17, 2007
quinta-feira, março 22, 2007
Nota do realizador

A cultura é um dos poucos traços de um povo que consegue perpetuar no tempo e deixar marcas profundas no modo de viver, pensar, agir, estar, etc. de qualquer povo.
Cabo Verde, como um país de misturas a todos os níveis, não podia deixar de ser diferente, afinal, está entre os poucos países do mundo que tiveram o privilégio de estar na origem do fenómeno globalização. Costuma-se dizer que o cabo-verdiano traz a cultura na alma e na sua própria forma de ser. Eu sou um deles, pois, a cultura sempre me despertou um interesse especial. Tenho uma atracção pelos monumentos e por tudo que se refere à cultura, por isso, o berço da nação cabo-verdiana é para mim um santuário do homem cabo-verdiano, para não falar do homem da aldeia global.
A conservação do património é um imperativo, mormente para um país que pretende fazer parte dos roteiros internacionais do turismo cultural. Para atingir tal objectivo é preciso, a par das restaurações, fazer um trabalho com população, os principais alvos e os que mais facilmente verão as suas vidas alteradas. A comunidade da Cidade Velha precisa estar consciente que o turismo cultural acarreta benefícios e "perdas". As duas partes têm que encontrar a melhor forma de gerir os conflitos para que Cabo Verde possa fazer parte do património mundial da UNESCO com apoio tanto do Estado como dos moradores. Estes têm que entender que as autoridades estão do lado deles e não o contrário. É preciso uma aproximação saudável e uma comunhão de esforços para que os objectivos sejam comuns.
Este filme é para mim uma forma de divulgar os problemas que as pessoas que vivem nos museus enfrentam. Pretendo contribuir para divulgar as preocupações das pessoas que diariamente sentem a sua privacidade invadida pelo estranho, por outro lado pretendo mostrar a comunidade da cidade velha que o patrimonio é deles e por isso o trablaho é de todos.
Mário Benvindo Cabral
realizador
Rua banana cidade velha

Sinopse
Cidade Velha, antiga Ribeira Grande, fundada em 1462, foi a primeira capital de Cabo Verde e a primeira Cidade portuguesa fora da Europa.
Placa giratória no comércio de escravos entre os continentes Europa, África e América, funcionou como campo de experiências de culturas e animais. Foi um ponto de passagem obrigatório nas rotas dos descobrimentos. Aqui os escravos eram ensinados a ler e a escrever, valorizando-os e preparando-os para as mais diversas tarefas. Para candidatar a património mundial e atrair o turismo internacional, o governo de Cabo Verde, apoiado pela cooperação internacional, iniciou nos anos 90 obras de restauração dos monumentos e das casas da principal rua da cidade, a rua Banana. A comunidade aplaudiu essa aposta do Governo, mas não aceita as medidas arquitectónicas impostas. Este filme vai acompanhar a restauração do património da cidade velha e mostra a importância histórica desta cidade.
Os patrocinadores da Rua Banana Cidade Velha

Rua Banana, Cidade Velha, um documentario que versa sobre a Cidade Velha será rodado até o dia 25 de Março, para entrar na fase de montagem logo a seguir. A Estreia acontece entre 15 a 25 de Maio de 2007.
Orcado em 3 mil contos, este documentário teve os seguintes apoios:
Caixa Economica de Cabo Verde, Delma iNC,Ministerio da Cultura, BCA, UNIVERSIDAD DE BARCELONA,BOLSA DE VALORES, LOID ENGENHARIA, HOTEL TROPICO, PUBLICOM,CABO VERDE INVESTIMENTOS.
A produção está a cargo da Global Produções, uma produtora independente com sede na Cidade da Praia. A equipa do filme:
Maria Joao Mosso-Produtora
Antonio Melo- Camaraman
Ineida Cabral- Relaçoes Públicas
Mário Benvindo Cabral- Relizador
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Mais televisão... ou mais canais? Eis a questão!

Este é o mometo de viragem no panorama audiovisual em Cabo Verde. Mais canais deve ser melhor televisão. Mas onde arranjar quadros de qualidade num país que até há pouco tempo só tinha a RTC? É obvio, na RTC. É ali que os novos canias vão ter que sondar os melhores, os mais criativos, enfim os que a RTC precisa para melhorar ou começar a oferecer o serviço público. A propósito de Serviço Público, diga-se que ainda é preciso contextualizar este conceito tão polémico. Mas até lá uma coisa é certa; Serviço público não é ter um Jornal Regional. Não passa de certeza pela exclusão de grande parte de assuntos meritórios de destaque. Se os telespectadores são obrigados a comparticipar o Serviço Público exigem um serviço de qualidade. E já agora, e os que não tem acesso à RTC. Falo de grande parte da ilha de SantoAntão, sem mencionar o resto. Em suma é preciso pensar nos que tem o salário minino, nos que não podem dar ao luxo de pagar 350 escudos para um serviço que não consomem.
quarta-feira, agosto 02, 2006
Mostra Cinema OIÁ
Oiá é uma mostra de cinema intercionacional que decorre anualmente no Mindelo. Este ano vai acontecer de 20 a 29 de Outubro. Isto, de Acordo com a organização para coincidir com o inicio das aulas. É que a organização quer semear nas camadas mais jovens o gosto pelo cinema.
Nesta mostra vão estar presentes filmes de Portugal, Brasil e Cabo Verde."No mar de alcatraz" , uma história real de naufragio que acorreu em Fevereiro vai se estrear nesta mostra.
segunda-feira, julho 31, 2006
No mar de Alcatraz, um documentário por acaso
Uma viagem à ilha do Fogo a bordo do catamarã Golfinho I, quase ia custar a vida a trinta passageiro, incluindo a minha pessoa. Depois de quase duas horas de viagem confortável ,o azar. Por sorte ou azar estava eu a filmar quando o navio bateu numa baixa. Consegui registar todo esse momento de pânico a bordo. Foi a forma que encontrei para não ficar em pânico, filmando as pessoas e a tripulação. Deste registo vai sair um documentário, "No mar de Alcatraz" 20mn dv, com produção da Global Produções Eventos e Multimédia e sem patrocínios.
Fazer cinema em Cabo Verde
"é preciso ser doido para fazer um filme em Cabo Verde" Ana Ramos Lisboa, Realizadora.
Nem mais. Ana sabia o que dizia. Agora constato o que ela quis dizer com esta frase. As empresas não aderem. Se apoiam, fazem-no timidamente sem acreditar plenamente nos projectos. É a minha convicção. Posso até estar errado, mas a pratica me tem dado razão. Estou a preparar o meu primeiro filme orçado em cerca de trinta mil Euros. Os patrocínios estes nem ve-los. A menos de 1 mes de rodagem, nem 15% do Orçamento.Deve ser porque sou Cabo Verdiano. Ou seja, os Cabo Verdianos não sabem fazer. Se fosse um portugues, queria ver. Sabem do que falo. Mas este filme vai ser rodado e Editado em Cabo Verde por Caboverdianos que querem aprender a fazer. Aos que apostaram neste projecto-Rua Banana cidade Velha, não se vão arrepender.
Nem mais. Ana sabia o que dizia. Agora constato o que ela quis dizer com esta frase. As empresas não aderem. Se apoiam, fazem-no timidamente sem acreditar plenamente nos projectos. É a minha convicção. Posso até estar errado, mas a pratica me tem dado razão. Estou a preparar o meu primeiro filme orçado em cerca de trinta mil Euros. Os patrocínios estes nem ve-los. A menos de 1 mes de rodagem, nem 15% do Orçamento.Deve ser porque sou Cabo Verdiano. Ou seja, os Cabo Verdianos não sabem fazer. Se fosse um portugues, queria ver. Sabem do que falo. Mas este filme vai ser rodado e Editado em Cabo Verde por Caboverdianos que querem aprender a fazer. Aos que apostaram neste projecto-Rua Banana cidade Velha, não se vão arrepender.
sexta-feira, junho 16, 2006
Rua banana cidade velha
Rua banana cidade velha é um projecto de documentario que versa sobre a cidade velha. O projecto é fruto do africadoc 2005 e em Setembro vai iniciar-se a rodagem.
O Filme está orçado em cerca de 3 mil contos. A TCV é co-produtora em parceria com a Global Produções Eventos e Multimédia, uma produtora independente.
Rua Banana Cidade Velha é uma aventura apaixonante, pois, percorre um local de história mundial e de interesse universal. Apesar de toda a importância histórica deste lugar, as autoridades mundiais ainda não reconheceram este verdadeiro património devidamente. Estou certo que este projecto irá constituir uma mais valia no sentido de dar a conhecer ao mundo o berço da humanidade e o ninho do fenómeno da globalização.
terça-feira, abril 12, 2005
O que nao ]e um documentáro
Muita boa gente tem essa confusao entre documentariuo e reportagem. É de facto complicado para quem está acostumado a nao ver filmes documentarios. Em Cabo Verde qualquer reportagem ou grande reportagem é apelidada de documentario. Erradamente muitos programas do género informativo grande reportagem tem sido chamado de documentário.
O documentário conta uma história. Aqui o autor apenas sugere apoiando-se na narrativa cinematográfica. Aliás, o documentário é produto do cinema, adaptado
à televisao. Por isso mesmo a narrativa utilizada é a do cinema. O documentário difere ainda de uma grande reportagem pela duraçao dos planos. Normalmente são mais longos nos documentarios. No documentario o autor apenas traça o itenirário a seguir sem chegar a conclusões. O desenrolar da historia explica por si os objectivos do autor.
Nao se iludam documentário é fruto do cinema, mas pode muito bem ser concebida pelos dois.
O documentário conta uma história. Aqui o autor apenas sugere apoiando-se na narrativa cinematográfica. Aliás, o documentário é produto do cinema, adaptado
à televisao. Por isso mesmo a narrativa utilizada é a do cinema. O documentário difere ainda de uma grande reportagem pela duraçao dos planos. Normalmente são mais longos nos documentarios. No documentario o autor apenas traça o itenirário a seguir sem chegar a conclusões. O desenrolar da historia explica por si os objectivos do autor.
Nao se iludam documentário é fruto do cinema, mas pode muito bem ser concebida pelos dois.
quinta-feira, abril 07, 2005
O pivot ( apresentador)enquanto construtor da informação
O primeiro contacto do telespectador com a notícia no Jornal da Noite dá-se através do pivot.[1] É ele quem anuncia o acontecimento, apresentando-nos um ângulo de visão (função guia); é ele quem gere a palavra dos entrevistados (função moderadora); é ele quem remata as peças ou as conversas com um breve comentário (função enfática) ou gesto ou postura; é ele quem faz as entrevistas, «substituindo» aí o telespectador (função «delegada»). Todas essas funções fazem dele um elemento chave na ligação do mundo aos telespectadores.
Para além daquilo que diz, o pivot transmite informação através de códigos cinéticos, nomeadamente através do olhar. Como afirma Felisbela Lopes; “o eixo do olhar do pivot é um elemento significativo da enunciação televisiva. Olhando o telespectador olhos nos olhos, o apresentador coexiste com o seu receptor no mesmo lugar e no mesmo espaço, afirmando a realidade do mundo que transparece através do ecrã”. (Felisbela Lopes 1999, 82).
Como sublinha Felisbela Lopes, “olhar dirigido para o papel significa o imprevisto, o excepcional; os olhos concentrados num plano inferior esperam a difusão de uma peça; o olhar lateral marca a passagem da palavra a um entrevistador ou comentador. (Felisbela Lopes1999,82).
Citando um trabalho de Pedro Mácia, (televisión hora cero, Madrid, Erisa 1981) Felisbela Lopes afirma que:
“O apresentador do telejornal pode insistir em manter-se à margem dos factos que anuncia, cultivando um modelo comunicacional em que o seu papel se confina ao de mero mediador de postura séria e pouco expressiva ou adoptar um modelo personalizado, passando de mediador a protagonista, revelando o seu lado mais pessoal e impondo, por vezes o “star system” no qual interessa, mais do que a notícia, quem apresenta.” (Felisbela Lopes 1999, 83).
Pelas palavras de Felisbela Lopes, o apresentador aparece aqui como uma figura determinante para a compreensão da mensagem. A forma como ele "diz" os textos pivots,[2] o tom de voz que ele utiliza e os gestos que faz, podem interferir na percepção da mensagem. A encenação das notícias acentua-se, ficando a realidade cada vez mais distante. De acordo com Felisbela Lopes,
“A encenação que rodeia dispositivo audiovisual, a baixa produtividade informativa imposta pelas imagens, a manipulação da notícia em directo e a escassez de temas tratados levam-nos a concluir que a informação tyelevisiva, mais do que um momento de informação, incute no cidadãop a ilusão de estar informado.” (Felisbela Lopes, 1999,84)
[1] Aquele que apresenta as notícias no Jornal da Noite.
[2] Significa também o texto lido antes de cada peça.
Fonte: memória monografica de bacharelato de mário benvindo cabral.
Para além daquilo que diz, o pivot transmite informação através de códigos cinéticos, nomeadamente através do olhar. Como afirma Felisbela Lopes; “o eixo do olhar do pivot é um elemento significativo da enunciação televisiva. Olhando o telespectador olhos nos olhos, o apresentador coexiste com o seu receptor no mesmo lugar e no mesmo espaço, afirmando a realidade do mundo que transparece através do ecrã”. (Felisbela Lopes 1999, 82).
Como sublinha Felisbela Lopes, “olhar dirigido para o papel significa o imprevisto, o excepcional; os olhos concentrados num plano inferior esperam a difusão de uma peça; o olhar lateral marca a passagem da palavra a um entrevistador ou comentador. (Felisbela Lopes1999,82).
Citando um trabalho de Pedro Mácia, (televisión hora cero, Madrid, Erisa 1981) Felisbela Lopes afirma que:
“O apresentador do telejornal pode insistir em manter-se à margem dos factos que anuncia, cultivando um modelo comunicacional em que o seu papel se confina ao de mero mediador de postura séria e pouco expressiva ou adoptar um modelo personalizado, passando de mediador a protagonista, revelando o seu lado mais pessoal e impondo, por vezes o “star system” no qual interessa, mais do que a notícia, quem apresenta.” (Felisbela Lopes 1999, 83).
Pelas palavras de Felisbela Lopes, o apresentador aparece aqui como uma figura determinante para a compreensão da mensagem. A forma como ele "diz" os textos pivots,[2] o tom de voz que ele utiliza e os gestos que faz, podem interferir na percepção da mensagem. A encenação das notícias acentua-se, ficando a realidade cada vez mais distante. De acordo com Felisbela Lopes,
“A encenação que rodeia dispositivo audiovisual, a baixa produtividade informativa imposta pelas imagens, a manipulação da notícia em directo e a escassez de temas tratados levam-nos a concluir que a informação tyelevisiva, mais do que um momento de informação, incute no cidadãop a ilusão de estar informado.” (Felisbela Lopes, 1999,84)
[1] Aquele que apresenta as notícias no Jornal da Noite.
[2] Significa também o texto lido antes de cada peça.
Fonte: memória monografica de bacharelato de mário benvindo cabral.
Televisão de qualidade
A promoção de uma televisão de qualidade não deriva apenas da vontade dos seus programadores, estando antes condicionada pelos recursos financeiros disponíveis, e consequentemente pelo quadro do pessoal que integra. Sem uma sólida segurança financeira será certamente difícil produzir séries e documentários ou produções de grande envergadura. Mas dinheiro não surge do nada. É preciso criar serviços de qualidade que interesse ao público. A venda de algum material de arquivo é apenas um exemplo de muitas outras iniciativas que podiam ser seguidas para facilitar a entrada de mais algum.
Sem recursos humanos de talento, será complicado inovar e transformar programas de interesse público em espaços de interesse do público. Por isso, a nosso ver, urge criar mais espaços de debate do mundo audiovisual. Urge aproveitar mais as oportunidades de formação e reciclagem. Em resumo urge acompanhar as novidades, ainda que esse acompanhamento se opere apenas a nível do conhecimento.
segunda-feira, abril 04, 2005
1ª Sessão Africadoc 2005- Mindelo
De 23 a 31 de Março, decorreu em Mindelo a 1ª sessão do africadoc 2005. Foram 10 os participante, sendo 3 caboverdianos; dois residentes e um da diáspora.
A ministrar esta sessão estiveram 2 peritos do cinema documental; Luis correia e Noemy . Estes dois peritos contam já com uma experiencia invejável no mundo do cinema.
Eis aqui os projectos e os respectivos autoreS:
Cabo Verde:
Cidade Velha, o Berço de Mário Benvindo Cabral
Música de Cabo Verde: Joaquim Livramento
Retornado: Víctor Pires (candidato da diáspora)
S. Tomé e Príncipe
Para Além do Batepá de Miguel Enweren
Angola
As Zungeiras de António Adi
Moçambique
Salão Britney Spears de Raquel Jenkins
Raízes Cortadas de Flora Mossoshua
Kupita Kufi de Germano Vasco
Guiné Bissau
À deriva de Suleimane Biai
A voz do povo de Adulai Djamanca
Estes 10 projectos estarão em Goré, Senegal, a partir do dia 28 de Abril à procura de finaciadores. Na sessão do PITCHING, vão estar presentes as principais estações de televisão da Europa.
quinta-feira, março 17, 2005
A linguagem no Jornal da Noite
Um dos elementos mais importantes na compreensão da mensagem do Jornal da Noite é, sem dúvida, a linguagem, que tem como característica garantir a verdade dos conteúdos do discurso e também a própria credibilidade do anunciador. Uma outra característica, não menos importante é a de dar sentido às coisas. Toda a experiência que supõe o uso da linguagem implica, portanto, construções de sentidos. Neste contexto, ao realizar escolhas no processo da construção do acontecimento como notícia, os profissionais da televisão imprimem significado aos factos. Sobre isto Bourdieu afirma: “Os jornalistas, grosso modo, interessam-se pelo excepcional, pelo que é excepcional para eles. O que pode ser banal para outros poderá ser extraordinário para eles e ao contrário. (Bourdieu 1997, 26).
Na perspectiva de Bourdieu, o produto final acaba por exprimir a visão do mundo sob o ponto de vista tanto do jornalista como do operador de câmara, a imparcialidade do discurso jornalístico mostra, deste modo, o seu caracter mitológico, para não dizer utópico.
A notícia quer-se como retrato dos acontecimentos, relatado com maior objectividade possível. A sua forma de apresentação, em termos de linguagem pode conduzir a várias interpretações, dando ideia que o telespectador não é passivo diante da mensagem.
Ele interage com ela; o sentido da notícia é reavaliado por ele e, muitas vezes, a sua interpretação da mensagem pode não ser a desejada pelo emissor desta, contribuindo, assim, para a produção de outras realidades que não eram objectivos do emissor.
fonte: memória monografica de Bacharelato de Mário Benvindo Cabral
Na perspectiva de Bourdieu, o produto final acaba por exprimir a visão do mundo sob o ponto de vista tanto do jornalista como do operador de câmara, a imparcialidade do discurso jornalístico mostra, deste modo, o seu caracter mitológico, para não dizer utópico.
A notícia quer-se como retrato dos acontecimentos, relatado com maior objectividade possível. A sua forma de apresentação, em termos de linguagem pode conduzir a várias interpretações, dando ideia que o telespectador não é passivo diante da mensagem.
Ele interage com ela; o sentido da notícia é reavaliado por ele e, muitas vezes, a sua interpretação da mensagem pode não ser a desejada pelo emissor desta, contribuindo, assim, para a produção de outras realidades que não eram objectivos do emissor.
fonte: memória monografica de Bacharelato de Mário Benvindo Cabral
sábado, março 05, 2005
o que é o ÁfricaDOC
Um país sem documentários é como uma família sem álbum de fotografiasPatricio Guzmán, realizador chileno
Tendo em conta que os países de expressão portuguesa em África estão a viver um momento de consolidação e afirmação, e sabendo que a produção audiovisual pode ser um importante factor de desenvolvimento, quer a nível interno enquanto veículo privilegiado para o ensino e para o reforço da identidade cultural, quer como instrumento de valorização e promoção do país face ao exterior, vimos deste modo apresentar o projecto ÁfricaDOC.ÁfricaDOC é um programa de formação destinado a realizadores e produtores de documentário dos países africanos de expressão portuguesa (e francófonos) e tem como objectivos principais contribuir para a emergência de novos criadores, possuidores dos conhecimentos necessários para a integração no mercado de produção internacional, estabelecer um tecido de competências e afinidades profissionais transnacional e promover o desenvolvimento e financiamento de projectos de potencial internacional.
Tendo em conta que os países de expressão portuguesa em África estão a viver um momento de consolidação e afirmação, e sabendo que a produção audiovisual pode ser um importante factor de desenvolvimento, quer a nível interno enquanto veículo privilegiado para o ensino e para o reforço da identidade cultural, quer como instrumento de valorização e promoção do país face ao exterior, vimos deste modo apresentar o projecto ÁfricaDOC.ÁfricaDOC é um programa de formação destinado a realizadores e produtores de documentário dos países africanos de expressão portuguesa (e francófonos) e tem como objectivos principais contribuir para a emergência de novos criadores, possuidores dos conhecimentos necessários para a integração no mercado de produção internacional, estabelecer um tecido de competências e afinidades profissionais transnacional e promover o desenvolvimento e financiamento de projectos de potencial internacional.
fonte:www.africadoc.com
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
A estruturação narrativa do Jornal da Noite
O Jornal da Noite tem a sua estrutura própria, ganhando em muitas paragens o estatuto de género. Apoia-se em formas específicas: o genérico, o Headlines, o olhar do (a) apresentador (a) e a as pontuações.
a) O genérico
O Genérico é a parte que inicia e finaliza o espaço informativo. No Jornal da Noite da Televisão de Cabo Verde, de 2001, o genérico teve a duração de 30 segundos e apresentou-se em tons laranja, branco e azul.
O genérico do Jornal da Noite estabelece o contacto com o telespectador e significa que se trata de um programa cuja matéria principal será o relato do recente, exposto de forma jornalística. O genérico contém imagens referentes aos «grandes» acontecimentos, nacionais e internacionais bem como alguns pivots de jornalistas. O genérico inicia e finaliza o espaço informativo. O som marcante, tem a intenção de chamar ao longe os telespectadores. Normalmente tem a duração de trinta segundos. As cores predominantes são as mesmas do cenário.
b) Os Headlines
Os Headlines[1] do Jornal da Noite indicam tudo o que vai ser tratado no espaço. Os títulos normalmente são dados sob a forma de frases completas, (sujeito, verbo, complemento), contendo cada uma um enunciado de uma informação, compreensível em si mesma.
c) O Olhar do pivot (apresentador)
De acordo com Jespers,
“O olhar do pivot (apresentador) é um sinal essencial do tipo de discurso que se está diante dos olhos do telespectador acerca disso: Se o apresentador olha o telespectador nos olhos (no eixo y-y), é porque está para lhe contar uma história verídica., para lhe dar uma informação referente a uma realidade. Pelo contrário, se o apresentador desvia o olhar, coloca na pele do telespectador, fala ou olha em vez dele.” (Jean Jaques Jaspers, 1998, 178)
Muitas vezes é difícil perceber o olhar do pivot, porque com o uso do teleponto, torna-se difícil para os leigos distinguirem o que é dito do que é lido, pois o apresentador (a) fixa o olhar sobre a objectiva «encarando» o telespectador sempre nos olhos.
O discurso do Jornal da Noite é intencionalmente tenso, tentando provocar interesse constante do telespectador, que não tem chance de relaxar. O Jornal da Noite precisa seduzir o telespectador todo o tempo. Esse papel de cativar o telespectador é feito pelo apresentador (a).
O apresentador (a), enquadrado num plano próximo,[2], lê os textos-pivot[3] através do teleponto.[4] Em cada intervalo insiste em chamar a atenção do telespectador utilizando expressões como «daqui a pouco», «veja a seguir» ou «confira logo após o intervalo», etc. Estas frases são acompanhadas de imagens e sons «fortes» dos assuntos que se pretendem destacar.
O ritmo narrativo do Jornal da Noite é intencionalmente acelerado, tentando produzir um discurso dinâmico, a impressão da actualidade, a sensação de imprevisibilidade. No tempo destinado ao jornal o telespectador é convidado a dar um rápido passeio por Cabo Verde e pelo mundo, através de um processo hierarquizado dos acontecimentos.
[1] Resumo do que se vai tratar no espaço, síntese.
[2] Plano que enquadra do peito para cima.
[3] Texto que o (a) apresentador (a) lê antes das notícias.
[4] Máquina ajustada à objectiva da câmara que passa os textos previamente digitados num computador.
a) O genérico
O Genérico é a parte que inicia e finaliza o espaço informativo. No Jornal da Noite da Televisão de Cabo Verde, de 2001, o genérico teve a duração de 30 segundos e apresentou-se em tons laranja, branco e azul.
O genérico do Jornal da Noite estabelece o contacto com o telespectador e significa que se trata de um programa cuja matéria principal será o relato do recente, exposto de forma jornalística. O genérico contém imagens referentes aos «grandes» acontecimentos, nacionais e internacionais bem como alguns pivots de jornalistas. O genérico inicia e finaliza o espaço informativo. O som marcante, tem a intenção de chamar ao longe os telespectadores. Normalmente tem a duração de trinta segundos. As cores predominantes são as mesmas do cenário.
b) Os Headlines
Os Headlines[1] do Jornal da Noite indicam tudo o que vai ser tratado no espaço. Os títulos normalmente são dados sob a forma de frases completas, (sujeito, verbo, complemento), contendo cada uma um enunciado de uma informação, compreensível em si mesma.
c) O Olhar do pivot (apresentador)
De acordo com Jespers,
“O olhar do pivot (apresentador) é um sinal essencial do tipo de discurso que se está diante dos olhos do telespectador acerca disso: Se o apresentador olha o telespectador nos olhos (no eixo y-y), é porque está para lhe contar uma história verídica., para lhe dar uma informação referente a uma realidade. Pelo contrário, se o apresentador desvia o olhar, coloca na pele do telespectador, fala ou olha em vez dele.” (Jean Jaques Jaspers, 1998, 178)
Muitas vezes é difícil perceber o olhar do pivot, porque com o uso do teleponto, torna-se difícil para os leigos distinguirem o que é dito do que é lido, pois o apresentador (a) fixa o olhar sobre a objectiva «encarando» o telespectador sempre nos olhos.
O discurso do Jornal da Noite é intencionalmente tenso, tentando provocar interesse constante do telespectador, que não tem chance de relaxar. O Jornal da Noite precisa seduzir o telespectador todo o tempo. Esse papel de cativar o telespectador é feito pelo apresentador (a).
O apresentador (a), enquadrado num plano próximo,[2], lê os textos-pivot[3] através do teleponto.[4] Em cada intervalo insiste em chamar a atenção do telespectador utilizando expressões como «daqui a pouco», «veja a seguir» ou «confira logo após o intervalo», etc. Estas frases são acompanhadas de imagens e sons «fortes» dos assuntos que se pretendem destacar.
O ritmo narrativo do Jornal da Noite é intencionalmente acelerado, tentando produzir um discurso dinâmico, a impressão da actualidade, a sensação de imprevisibilidade. No tempo destinado ao jornal o telespectador é convidado a dar um rápido passeio por Cabo Verde e pelo mundo, através de um processo hierarquizado dos acontecimentos.
[1] Resumo do que se vai tratar no espaço, síntese.
[2] Plano que enquadra do peito para cima.
[3] Texto que o (a) apresentador (a) lê antes das notícias.
[4] Máquina ajustada à objectiva da câmara que passa os textos previamente digitados num computador.
A primeira notícia (notícia de abertura) no Jornal da Noite do ano 2001
Os assuntos políticos (estado, diplomacia, partidos políticos e parlamento) foram os mais reiterados. Em 79 edições foram, por 39 vezes, tema de abertura. A categoria estado (que aglutina a Presidência da República, o governo e seus representantes) a figura do primeiro-ministro abriu o jornal 13 vezes num total de 27. As resoluções do Conselho de Ministros foram, por quatro vezes, tema de abertura. O Presidente da República foi seleccionado uma vez e as restantes 9 aberturas relataram as acções dos vários ministros.
Em termos individuais, a segunda categoria mais frequente na abertura do Jornal da Noite foi a referente a «outros», com um total de 7 ocorrências, representando cerca de 9% do total das aberturas.
Com cerca de 8% do total surgem-nos as notícias internacionais, com destaque para os acontecimentos de 11 de Setembro nos EUA. Os sectores estruturantes da sociedade (saúde, educação e economia) conseguiram em conjunto cerca de 11% do total das aberturas, o que mostra que apesar de não serem tão expressivos conseguem lugares de destaque no Jornal da Noite.
Em termos individuais, a segunda categoria mais frequente na abertura do Jornal da Noite foi a referente a «outros», com um total de 7 ocorrências, representando cerca de 9% do total das aberturas.
Com cerca de 8% do total surgem-nos as notícias internacionais, com destaque para os acontecimentos de 11 de Setembro nos EUA. Os sectores estruturantes da sociedade (saúde, educação e economia) conseguiram em conjunto cerca de 11% do total das aberturas, o que mostra que apesar de não serem tão expressivos conseguem lugares de destaque no Jornal da Noite.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
A Edição montagem
O conceito por trás da edição linear é simples: segmentos do material original de um ou mais cassetes são copiados para outra fita. No processo, as tomadas más são eliminadas, os segmentos escolhidos são ordenados e efeitos de áudio e vídeo incluídos.
O sistema de edição linear só permite cortes lineares, isto é, a cena 1 seguida da cena 2, seguida da cena 3, e assim por diante. Isto requer organização e planejamento. O editor deve estudar bem o material, anotar a localização dos takes que pretende usar e preparar um roteiro de edição, definindo a ordem das tomadas, tipo de transição entre os takes, a entrada de títulos e créditos, trilhas e efeitos sonoros.
A ilha de edição linear é composta de um ou mais videocassetes player - onde é colocada a fita de vídeo com a gravação original, um recorder , onde é colocada a fita que será editada e um edit controller , que controla as duas ( ou três ) máquinas. A fita contendo a edição final é chamada de master .
O editor utiliza o contador digital do painel do edit controller, para localizar segmentos na fita original e anotar os pontos de entrada (início) e/ou saída (final) dos takes que serão utilizados na fita master. O painel 00:00:00:00 mostra em horas, minutos, segundos e frames (quadros de vídeo), a localização dos takes na fita. O contador pode ser programado para a leitura dos sinais de CTL ou Time Code. CTL - Control track - são pulsos de controle, gravados na fita, simultaneamente, com os sinais de vídeo e áudio. Estes pulsos servem de referência para a localização dos segmentos na fita de vídeo. O sistema NTSC utiliza 30 pulsos, por segundo.
Este método de referência tem duas grandes desvantagens. Primeiro, depende inteiramente do equipamento, para manter uma contagem precisa dos milhares de pulsos de control track. E esta é uma tarefa difícil para aparelhos mecânicos.
Durante a edição, o operador está constantemente enviando a fita para a frente ou para trás, em diferentes velocidades para marcar os pontos de edição. Se o equipamento perde a conta dos pulsos, ainda que por uma fracção de segundos, a numeração que indica a localização do segmento não terá precisão e apresentará diferença de vários frames no contador.
Editores experientes ficam de olho no contador digital, enquanto a fita se move, para detectar paradas momentâneas, que significam que o equipamento perdeu a exactidão na contagem dos pulsos de controlo (CTL). Estes problemas são causados por defeitos na fita de vídeo, ou na gravação do control track. Por isso, use sempre fitas de bons fabricantes e fique atento durante a gravação, para não deixar pedaços de fita virgem, entre os segmentos gravados.
S egundo, a contagem dos pulsos de control track só é válida durante aquela sessão de edição. O equipamento não tem memória para arquivar a lista de decisões EDL (edit decision list) , tornando impossível a reedição automática da fita, caso se deseje fazer mudanças no master.
O método de edição linear foi o primeiro a ser adotado e ainda é o mais utilizado no mercado. E embora seja a maneira mais rápida de se montar uma sequência simples, é um método de trabalho bastante limitado e restrito, quando comparado aos modernos e sofisticados sistemas de edição não-linear.
Edição em Insert e Assemble
N a edição linear existem dois modos de edição: assemble e insert .
Na edição em assemble , gravamos na fita master, os sinais de áudio e vídeo associados ao respectivo control track. É muito difícil gravar os pulsos de CTL com total exactidão, à medida que, adicionamos segmentos e fazemos novos cortes. Qualquer problema de tempo (que ocorra durante este processo, basicamente mecânico) resultará num corte defeituoso - um glitch no vídeo. Por esta razão, a edição em assemble só deve ser realizada em edições curtas, onde a prazo é um factor crítico.
A edição em insert requer preparativos: é necessário gravar uma "base" - um sinal de vídeo (geralmente, preto) gravado ininterruptamente - na fita master, antes de se iniciar o trabalho. O fluxo contínuo, dos pulsos de controle (CTL), servirá de referência para o contador digital do recorder e irá garantir a estabilidade da imagem durante a reprodução (playback) da fita master.
Durante a edição, no modo insert, gravamos apenas os sinais de áudio e / ou vídeo, sobre a base, utilizando os pulsos de CTL já gravados. O que resulta numa reprodução mais estável da fita.
A edição em insert possibilita a substituição de segmentos de áudio ou vídeo, por outros com a mesma duração. No entanto, é impossível, encurtar ou aumentar as sequências já editadas.
O sistema de edição linear só permite cortes lineares, isto é, a cena 1 seguida da cena 2, seguida da cena 3, e assim por diante. Isto requer organização e planejamento. O editor deve estudar bem o material, anotar a localização dos takes que pretende usar e preparar um roteiro de edição, definindo a ordem das tomadas, tipo de transição entre os takes, a entrada de títulos e créditos, trilhas e efeitos sonoros.
A ilha de edição linear é composta de um ou mais videocassetes player - onde é colocada a fita de vídeo com a gravação original, um recorder , onde é colocada a fita que será editada e um edit controller , que controla as duas ( ou três ) máquinas. A fita contendo a edição final é chamada de master .
O editor utiliza o contador digital do painel do edit controller, para localizar segmentos na fita original e anotar os pontos de entrada (início) e/ou saída (final) dos takes que serão utilizados na fita master. O painel 00:00:00:00 mostra em horas, minutos, segundos e frames (quadros de vídeo), a localização dos takes na fita. O contador pode ser programado para a leitura dos sinais de CTL ou Time Code. CTL - Control track - são pulsos de controle, gravados na fita, simultaneamente, com os sinais de vídeo e áudio. Estes pulsos servem de referência para a localização dos segmentos na fita de vídeo. O sistema NTSC utiliza 30 pulsos, por segundo.
Este método de referência tem duas grandes desvantagens. Primeiro, depende inteiramente do equipamento, para manter uma contagem precisa dos milhares de pulsos de control track. E esta é uma tarefa difícil para aparelhos mecânicos.
Durante a edição, o operador está constantemente enviando a fita para a frente ou para trás, em diferentes velocidades para marcar os pontos de edição. Se o equipamento perde a conta dos pulsos, ainda que por uma fracção de segundos, a numeração que indica a localização do segmento não terá precisão e apresentará diferença de vários frames no contador.
Editores experientes ficam de olho no contador digital, enquanto a fita se move, para detectar paradas momentâneas, que significam que o equipamento perdeu a exactidão na contagem dos pulsos de controlo (CTL). Estes problemas são causados por defeitos na fita de vídeo, ou na gravação do control track. Por isso, use sempre fitas de bons fabricantes e fique atento durante a gravação, para não deixar pedaços de fita virgem, entre os segmentos gravados.
S egundo, a contagem dos pulsos de control track só é válida durante aquela sessão de edição. O equipamento não tem memória para arquivar a lista de decisões EDL (edit decision list) , tornando impossível a reedição automática da fita, caso se deseje fazer mudanças no master.
O método de edição linear foi o primeiro a ser adotado e ainda é o mais utilizado no mercado. E embora seja a maneira mais rápida de se montar uma sequência simples, é um método de trabalho bastante limitado e restrito, quando comparado aos modernos e sofisticados sistemas de edição não-linear.
Edição em Insert e Assemble
N a edição linear existem dois modos de edição: assemble e insert .
Na edição em assemble , gravamos na fita master, os sinais de áudio e vídeo associados ao respectivo control track. É muito difícil gravar os pulsos de CTL com total exactidão, à medida que, adicionamos segmentos e fazemos novos cortes. Qualquer problema de tempo (que ocorra durante este processo, basicamente mecânico) resultará num corte defeituoso - um glitch no vídeo. Por esta razão, a edição em assemble só deve ser realizada em edições curtas, onde a prazo é um factor crítico.
A edição em insert requer preparativos: é necessário gravar uma "base" - um sinal de vídeo (geralmente, preto) gravado ininterruptamente - na fita master, antes de se iniciar o trabalho. O fluxo contínuo, dos pulsos de controle (CTL), servirá de referência para o contador digital do recorder e irá garantir a estabilidade da imagem durante a reprodução (playback) da fita master.
Durante a edição, no modo insert, gravamos apenas os sinais de áudio e / ou vídeo, sobre a base, utilizando os pulsos de CTL já gravados. O que resulta numa reprodução mais estável da fita.
A edição em insert possibilita a substituição de segmentos de áudio ou vídeo, por outros com a mesma duração. No entanto, é impossível, encurtar ou aumentar as sequências já editadas.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
A produção do Jornal da Noite

O cenário do Jornal da Noite em 2004
Para analisar o conteúdo do Jornal da Noite sem distorções é preciso ter um domínio relativo sobre a sua produção, conhecer o papel dos principais actores que participam na elaboração do Jornal da Noite.
A produção do Jornal da Noite é da responsabilidade do Departamento de Informação da TCV, mas acaba por ser um trabalho com a participação de todos os departamentos, pois, pela sua importância na programação e pelo seu carácter aparatoso em termos de produção merece a atenção de todos os funcionários da estação.
Não há dúvida que o Jornal da Noite ocupa um lugar estratégico na programação da RTC. Emitido no horário nobre da RTC, salvo algumas excepções, este programa é o mais excelso, em termos de preparação. Cerca de trinta e cinco pessoas estão envolvidas todos os dias por turnos, na realização e edição do Jornal da Noite. É um trabalho de equipa, onde a responsabilidade do jornalista e dos outros obreiros é difícil de circunscrever.
O Jornal da Noite é preparado durante todo o dia. Na sua produção participam jornalistas, operadores de câmara, editores de imagem e som, operadores de som e de VTR, realizadores e todo o staff da redacção; Secretária, Editor Chefe e Chefe de Redacção.
Na produção de notícias, temos, por um lado, a cultura profissional; e por outro, as restrições ligadas à organização do trabalho sobre as quais são criadas convenções profissionais que contribuem para definir a notícia e legitimam o processo produtivo, desde a captação do acontecimento, passando pela produção, edição, até à apresentação.
A produção do Jornal da Noite pode ser sintetizada em três etapas principais; a gravação, a montagem e a emissão. Os temas a serem notícias são escolhidos pelo Editor Chefe e pelo Chefe de Redacção, depois de «terem em mãos» as notas emanadas por algumas instituições, ou por outras entidades.
As notícias de outros quadrantes também são seleccionadas pela equipa que dirige o Jornal, o Chefe de Redacção e o Editor do Jornal, embora algumas partam da iniciativa dos jornalistas, isto quando o número de notas oficiais escasseia. Os responsáveis do Jornal funcionam, deste modo como gatekeepers[1], na medida em que filtram, através das suas preferencias, aquilo que acham menos importante.
De acordo com Traquina, “o termo «gatekeeper» refere-se à pessoa que toma uma decisão numa sequência de decisões (...) ” (Traquina2002, 77), Como se pode perceber a selecção da notícia não acontece por acaso. Só são notícias aqueles assuntos que forem escolhidos pela direcção do Jornal.
Depois de escolhidos os assuntos a serem notícias são elaboradas as escalas de saídas, ou seja, é atribuída a cada jornalista uma tarefa. Assim, antes da saída deste para a reportagem o jornalista e o operador de câmara consultam a escala do dia, elaborada pelo staff da redacção. De regresso, quando já tiverem tudo gravado, vão «visionar» toda a cassete ao mesmo tempo que o primeiro elabora o texto da peça. As imagens que interessam ao jornalista são registadas, usando o time code,[2] para facilitar a sua localização na altura da montagem. De seguida vai fazer gravar a voz off, para depois se iniciar a montagem.
Na montagem da notícia, o jornalista é coadjuvado pelo editor (operador de montagem). Começam por fazer a estrutura da peça; o «esqueleto», formada pela voz off e pelos depoimentos (Vts). A seguir fazem a inserção de imagens sobre a voz off. Por vezes, há ainda a necessidade de misturar os sons do ambiente em que decorreu a gravação dos depoimentos com a voz off e/ou dos entrevistados.
A edição promove o encadeamento de sequências, num raciocínio lógico, construindo a realidade de forma harmónica de imagens, entrevistas e sons que autenticam o que está sendo narrado, na perspectiva do jornalista. Tudo é montado para que o telespectador não tenha dúvidas de que o que ele assiste é o real, e não a elaboração deste.
Terminada esta fase a peça é recolhida pela Secretária da Redacção que vai anotar a duração da peça e a deixa[3] na folha de alinhamento do Jornal. Os alinhamentos são elaborados manualmente pelo Chefe de Redacção e pelo Editor. São estas as figuras que decidem também a sequência das notícias.
Na última etapa do processo de produção do Jornal, o apresentador tem um papel preponderante. É a ele que cabe o papel de mostrar que tudo o que veicula o Jornal da Noite é real, apoiando-se nas qualificações técnicas de apresentação. Acerca do apresentador do Jornal televisivo, Jespers afirma:
“O apresentador tem em geral o aspecto de uma pessoa agradável, educada e não agressiva. Pode-se chegar a conceber o seu papel como o de um psicoterapêuta: o apresentador do T.J[4] teria por função dar ao mundo uma imagem positiva, atenuar a angústia do público face aos dramas e às dificuldades sociais e económicas que fazem a actualidade.” (Jespers 1998, 180).
No Jornal da Noite, muitas vezes, a comunicação oral do apresentador (a) vem sempre acompanhada de expressões corporais, responsáveis pelo «subtexto», um elemento expressivo de suma importância para a compreensão de certos comentários. Ao utilizar «este acessório» da linguagem, o apresentador (a) entra no espaço da representação, que não deve ser dissociado da encenação.
[1] Pessoa que toma uma decisão na sequência de decisões, filtradores de notícia
[2] Relógio que conta o tempo com precisão do frame (quadro de imagem), usado para marcar pontos de edição nas fitas. Marca horas, minutos e segundos e fotogramas ou frames.
[3] Última frase de cada reportagem.
[4] Telejornal
Este texto é parte da memória monografica de bacharelato. Disponivel na Bbiblioteca da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.
quinta-feira, janeiro 20, 2005
A programação da TCV
A programação da TCV
Olhando diariamente os programas da TCV, a interrogação é inevitável: Onde está a televisão de Cabo Verde? A resposta é simples: em lugar nenhum. Mais grave ainda, a cultura brasileira vem ganhando cada vez mais espaço no que nós produzimos e consumimos, atropelando o imaginário das crianças e da grande massa que vive a telenovela. Quem disse? O meio que nos rodeia. Quantos não preferem as havaianas, as roupas da Jade, o artesanato "vindo de Fortaleza", ou mesmo a música de artistas brasileiros (pagode)? Não pensem que o meu ponto de vista é xenófobo. Nada disso, até por que prezo muito a cultura deste país etenho muitoa amigos brasileiros.
É certo que incutir qualidade a uma grelha leva o seu tempo. Mas já se passou tempo demais neste “vai-não vai”, e até ainda as vozes críticas relativamente à programação continuam a fazer-se ouvir. Culpados? O Governo, por incapacidade de injectar mais dinheiro na TV ? Os gestores da RTC por não conseguirem neutralizar o buraco financeiro que se avoluma com o passar dos tempos? Os directores de programação e de informação, que se renovam antes de ver concretizadas as suas decisões? As instâncias responsáveis pelo acompanhamento da actividade da RTC que reiteradamente se queixam da falta de meios para trabalhar? Os telespectadores que mais não fazem do que ficar no seu cantinho a pagar passivamente a taxa para ver o que se oferece?
Precisamos agir o quanto antes, se quisermos ver uma telvisão pública de qualidade. Como? Apostando na formação e gestão criteriosa dos recursos disponíveis. Quem diz que os meios são poucos tem razão, mas não deve esquecer que se pode fazer trabalhos com qualidade a baixo custo.
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